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Categoria - Personagens O mendigo escritor Autor(a): Ricardo Azevedo - Conheça esse autor
História publicada em 20/10/2005
Fiz meus estudos no Colégio Visconde de Porto Seguro. Antigamente, o colégio ficava na Praça Roosevelt. A praça, um espaço amplo, mais ou menos abandonado, com arbustos esparsos e chão em parte asfaltado e em parte de terra batida, era usada como estacionamento e, nas quartas e sábados, acho, virava uma feira livre, muito boa e movimentada.

Apesar de ser uma área descuidada e indefinida, era muito melhor do que a praça de hoje - a meu ver, um monstrengo de concreto frio, desumano, desajeitado e artificial.

Na praça antiga (isso na década de 60), morava um mendigo. Ficava por lá, andando para cima e para baixo, seguido por um séqüito de vira-latas. Vi esse homem todo santo dia durante anos, com sua barba grisalha, seus olhos claros e uma espécie de meia enterrada na cabeça. Era uma figura estranha e bonita.

Costumava sentar-se numa mureta, perto da rua Gravataí, cruzava as pernas com elegância e, puxando um papel enorme do bolso do paletó, punha-se a escrever com um toco de lápis. Às vezes parava e, sério, mostrava o texto para os cachorros. Lembro que os animais levantavam-se e parece que liam aqueles escritos com um certo interesse. Quando ficava cansado, o mendigo dobrava e guardava o papel no bolso e partia vagaroso pela praça, seguido por seus companheiros caninos, examinando as nuvens concentrado e pensativo, com os braços cruzados nas costas. E-mail: rjd.azevedo@uol.com.br
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Publicado em 22/03/2012 Na Av. Professor Fonseca Rodrigues, bairro de Pinheiros, existe um cidadão já beirando os 70 anos, que fica horas a fio sentadinho num caixote, num dos canteiros centrais dessa avenida. E fica escrevedo, escrevendo... às vezes está lendo algum jornal velho que lhe cai às mãos. Talvez seja o seu personagem. Adoro ler as histórias do "São Paulo Minha Cidade". Cada uma traz de volta um pouco do meu passado. Enviado por Marta Segala - marta_segala@uol.com.br
Publicado em 20/01/2012 Gostei Muitissimo da história. É incrivel. Aqui em Xinguara-Pará temos várias pessoas nas ruas a mendigar e a perambular de um lado para o outro, sem destino e sem rumo. Só não gostei mais porque quem escreveu esta história não relatou nada que o mendigo escritor escrevia. Seria muito interessante saber o que esse mendigo pensava. Enviado por wilson maia - wilsonxmaia@hotmail.com
Publicado em 14/08/2011 muito comovente Enviado por erick - erckcarneiro17@hotmail.com
Publicado em 10/11/2009 Eu preciso historicizar o termo mendigo para minha monografia e na internet não acha nada a respeito....alguém pode me ajudar.....Esse personagem é comimu aqui também em nossa cidade ma so que mais intriga é o que leva eles a estarem na rua e o que pensam a respeito da sociedade,por que nos sepre olhamos para eles com descaso.. Enviado por Gilcirlene - g17062009@hotmail.com
Publicado em 24/04/2009 Temos um personagem parecido agora, ele fica na Faria Lima escrevendo o dia todo. Li uma reportagem sobre ele e o entrevistador mostra alguns textos. São belíssimos. Enviado por Carolina Rubira - carolina_rubira@yahoo.com.br
Publicado em 08/09/2007 Eu conheci "esse" mendigo, nos anos 70, quando era adolescente e apanhava ônibus na Praça do Correio. Nos últimos anos, sempre que surge um contexto qualquer, costumo contar a história desta impressionante personagem paulistana. Enviado por Jaime Sant'Anna - jsantann@hotmail.com
Publicado em 24/12/2006 havia um personagem na "Praça é Nossa" que retratava um milionário.mas, trajado de mendigo, e usuário de charutos cubanos, sempre com um jornal dobrado debaixo do braço, contava vantagens. ele tambem usava um toco de lápis quando sublinhava algum texto no jornal. Enviado por turan bei - turanbei@hotmail.com
Publicado em 25/11/2006 Ricardo, texto correto, preciso, sintético, lindo! Emocionei-me. Visualizei "seu mendigo"... percebi o "abanar de rabos" dos cachorros... Você tem outros textos, seguramente. Gostaria de lê-los. Sou escritora e artista plástica. Parabéns! Enviado por Nina Fortes - fortes.nina@uol.com.br
Publicado em 30/10/2005 Sensível e tocante, mostra o mundo particular do mendigo escritor e sua empatia com o mundo animal. Uma espécie de "alter ego" do autor, talvez...

Maria José Uchoa A. de Lima
Enviado por Maria José Uchoa A. de Lima - faleconosco@saopaulominhacidade.com.br
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