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Categoria - Paisagens e lugares Minha história na Avenida Higienópolis Autor(a): Tereza Pereira Xavier - Conheça esse autor
História publicada em 08/10/2007
Nasci nas Alterosas de MG, morei desde menina no norte Paraná. Cheguei a São Paulo com quinze anos de idade. De cara me apaixonei pela capital da garoa. Morei e ainda moro na Freguesia do Ó, um dos bairros mais velhos de São Paulo. Aprendi por necessidade os caminhos que me levavam à Av Higienópolis. Ficava encantado com o vaivém dos carros, trânsito carregado, ônibus superlotados, barulhos e fumaça de muitas fábricas. Diante da inocência e pobreza por qual fui criada tudo isto era um verdadeiro espetáculo. Um pouco mais adiante Lapa, Rua Clélia, Av. Francisco Matarrazo, Santa Cecília, mais adiante Av. São João com seus lindos e românticos bondes contrastando com a correria da grande cidade, eu voltava a respirar. Minha admiração crescia a cada instante, era como um filme de longa metragem, ora sereno, ora quase atropelado e até mesmo cômico. Vamos voltar à Av. Higienópolis, uma das minhas preferidas daquela época. Passavam por ali homens e mulheres bem vestidos, eles de terno e de sobretudo, para escapar do frio, e elas de saias rodadas abaixo dos joelhos. Lindos casacos de lã, cabelos com laquês bem armados. A maioria delas com cintos largos ressaltando ainda mais suas cinturas finas. Bicicletas com bagageiro com pessoas que hoje são chamadas de mensageiros. Era raro ver motos com este tipo de serviço, a não ser alguns filhinhos de papai metidos a besta. A Av. Higienópolis era um verdadeiro sonho de consumo. Tanto por seus arranha-céus, conjuntos residenciais, pessoas de alto padrão financeiro, madames andando por ruas com seus cachorrinhos de estimação, carros chiquerrímos. Novidades não me faltavam nesta linda Avenida Higienópolis. Um dia vi meninas da minha idade com lindos uniformes azuis, cabelos feito rabo de cavalo ou de Maria-chiquinha, voltando do colégio todas paparicadas por rapazes também estudantes. A Av. Higienópolis, imponente, fazia questão de mostrar a mim sua exuberância e suas diferenças sociais. Quarenta e um anos passaram e a simpática avenida mudou muito. Hoje quando por ela passo, grandes lembranças tomam conta de mim e é como fosse minha primeira vez, só com uma diferença, não vejo mais aquelas grandes diferenças sociais, todo mundo que por ali circula é apenas mais um na multidão. Quem será que mudou? Eu ou a própria Av. Higienópolis?

e-mail da autora: terezapx@bol.com.br
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Publicado em 26/10/2007 Tereza : Antigamente esse bairro ou "boulevard" chamava-se Vila Buarque, era o pedaço "chic" de São Paulo, do Colégio Sion e do Colégio Rio Branco. Hoje, bem hoje, virou "corredor comercial". Uma pena ! EMP Enviado por expedito marques pereira - expeditompereira@adpesp.com.br
Publicado em 11/10/2007 Aproveitarei este momento frizando nos complementos, que toda historia se não conter os comentáristas a meu ver enfraquece o historiador e o tema que esta sendo tratado. Assim com estes personagens abaixo, digo-lhe Tereza que um prazer contar com a participação de todos vocês. Isto já justifica e engrandece a participação.Ao site quero insistir na valorização dos seus integrantes a meu ver deveriam ser melhor remunerados, seja qual for a moeda circulante para que seja devidamente pago o talento.Abraços. Enviado por Clesio de Luca - clesiodeluca@yahoo.com.br
Publicado em 10/10/2007 É verdade a avenida Higienopolis mudou bastante. Hoje é ponto de referencia de pessoas que levam seus cachorros para passear, e não levam saquinhos plasticos para recolher os dejetos por eles deixados. Enviado por MARIO LOPOMO - mlopomo@uol.com.br
Publicado em 08/10/2007 Nós mudamos e em consequência a Av.Higienópolis também mudou. Neste ponto é bom que tenha mudado. O eixo foi deslocado para os Jardins (Oscar Freire e adjacências), porém com o amadurecimento não percebemos diferenças, quer estejamos na Av.Higienópolis, Jardins, Montecarlo, Nice, Vaduz... Enviado por Mirça Bludeni de Pinho - by_laser@yahoo.com.br
Publicado em 08/10/2007 A cidade pasteurisou-se, Tereza. Perdeu seus pontos de referência, até mesmo seu Centro.
Os edifícios tomaram conta de tudo, e a miséria espalhou-se, generalizada. Então, pouco há de característico para ver. São Paulo é um vasto mundo, sem fronteiras, onde o cinza domina.
Enviado por Luiz S.Saidenberg - saidenberg@ajato.com.br
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